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domingo, 22 de maio de 2011

Ironman Brasil: Semana 20 - Balanço

Hoje, ao fim do que eu considerei como último treino para o Ironman, eu comemorei com um grito. Tá certo que a rua estava deserta e se alguém por um acaso ouviu, deve ter pensado que melhorei alguma marca ou então que era doido mesmo.

Mas não fiquei doido. Muita gente acha que sim: meus pais, minha esposa, colegas de trabalho. Mas acho que não.

Tenho muito pra comemorar.

O que vou dizer aqui não é grande novidade pra quem já leu alguns posts deste blog, mas são coisas que julgo importantes neste processo.

Há exatos 2 anos coloquei na cabeça que era a hora. Desde então, não tive um dia que não tenha pensado em Ironman.

Dois anos que tudo conspirou à favor. Talvez se adiasse para 2012, não teria a mesma estabilidade e tranquilidade para ocupar grande parte do meu tempo com o Ironman. Algumas mudanças estão em curso no trabalho e talvez as coisas não continuem tão calmas como foram nos últimos anos.

Em maio de 2009, gostaria de correr bem uma meia maratona. Consegui fazer duas com tempos bem razoáveis.

Em maio de 2010 foi a hora de matar o trauma da maratona. Não fui muito confiante e tracei metas nada ambiciosas. Treinei guiado por elas e fiz o que me propus a fazer, afinal a maratona em si não era o objetivo.

Desde maio de 2010 mudei de ares. Com muita dor no coração mudei de assessoria, deixando muitos amigos e parceiros de anos, muitos anos. Mais tarde eu vi que não deixei ninguém pra trás. Fiz o certo e busquei o que achava que seria o melhor.

Fiz novas amizades. Respirei triathlon da fonte. Estou sendo treinado por um cara (Emerson Gomes) que quando eu comecei a fazer esse esporte em 95, brigava pelas primeiras posições no profissional. Um cara que representou o Brasil no circuito mundial.  Existem críticas, claro. A principal é que os treinos são meio "em série". Pessoas diferentes e com objetivos diferentes fazem, via de regra, o mesmo tipo de treino. Mas como dar um tratamento individualizado numa estrutura tão grande? É difícil. No frigir dos ovos, funcionou muito bem pra mim e superei muitas metas. Várias vezes me vi refazendo os planos por perceber que eu poderia fazer mais e melhor.

O início de 2011 trouxe o início do ciclo específico. Os volumes não subiram de cara. Talvez o início real tenha sido logo depois do Internacional de Santos, mas até como uma preparação psicológica, coloquei na cabeça que seriam 20 semanas.

Todos dizem que um ironman se faz de muita força de vontade e de alguns sacrifícios. Essa é uma palavra forte. 

Sim, deixei de fazer algumas coisas com as quais estava acostumado. 

Há um ano gastava algum tempo e dinheiro pesquisando e comprando vinhos, que tomava sempre às sextas feiras, como um ritual de começo de fim de semana. A adega desde então não recebeu nenhuma novidade. Vem esvaziando em um ritmo lento, muito lento. 

Não gosto de doces, a não ser de chocolate. Posso contar nos dedos os dias que comi, mesmo com a Páscoa recentemente.

Mudei muito a rotina da casa. Até a Júlia come arroz integral vez ou outra. Sem contar horários, principalmente aos finais de semana.

Quer saber? Valeu cada segundo de esforço, cada gota de suor.

O meu grito de comemoração hoje cedo foi de agradecimento (acho que pra mim mesmo) pela forma física que me encontro, pela renovação no círculo de amizades, pelo exemplo que eu quero dar à minha filha (alguém conhece uma criança de quase 3 anos que sabe exatamente o que é o Ironman ou então uma prova de triathlon?) e principalmente por ter alcançado o meu objetivo. Muita gente vai pensar que eu estou sendo arrogante, afinal nem completei o que me propus a completar.

Não?

Então vamos lá: Desde 01/01/2011....ou seja, só este ano, eu...

Nadei: 135 km
Pedalei: 4150 km
Corri: 870 km

Meus treinos tiveram essa cara:


As semanas com menores volumes coincidem com provas que fiz. De resto, foi uma crescente de volume, determinação, dedicação, vontade.

Esta vigésima semana já foi bem suave. Sim, dá uma sensação de "amolecimento", mas o descanso que isso proporciona, fez com que eu percebesse o quanto eu melhorei. Mesmo a velocidade, tão pouco priorizada, melhorou e me fez correr tiros de 1 km, uma sessão inteira deles, abaixo da marca psicológica de 4'/km, ou então melhorar tempos da natação em mais de 30 segundos em séries de 300m (comparado ao meio do ciclo).

Estou confiante e estou extremamente feliz por chegar até aqui com a sensação de dever cumprido.

Muito se diz e é até um clichê no meio, que "o difícil é o treino. O dia é uma festa" e que a adrenalina e a felicidade te levam do tiro de largada à linha de chegada. Claro que o medo de não completar existe. Muita coisa pode acontecer, mas sinceramente, não posso pensar no que não me deixaria cruzar a linha de chegada. Posso sim fazer de tudo para evitar situações que me façam fracassar.

O treino é o principal. Fiz seguramente mais de 95% de tudo que me foi proposto.

O material está todo revisado.

Vou pedalar com muita atenção, evitando aglomerações, em primeiro lugar porque o vácuo é proibido e seguindo tudo o que aprendi nos treinos. Só de treinos realmente longos, foram três...um de 180km, outro de 185 km e um de 190 km.

Vou correr como um maratonista, como me ordenou o mestre Cláudio Castilho. Ou seja, nada de amarelar. O "urso do ironman" não existe. O que existe é planejamento e execução de ritmo de prova, de alimentação.

E como diz o Bob Esponja: "Quem está pronto? EU ESTOU PRONTO".

O próximo post, vai ser direto de Ironland!

Enfim chegou. Já tô com saudades.  

Meu muito obrigado pra quem veio até aqui comigo. Torçam muito por uma boa prova, não só minha, mas de todos os 2000 homens e mulheres de ferro que tenho certeza, acordam, comem, trabalham, convivem e cuidam da família pensando em triathlon, em Ironman.

Essas pessoas fazem deste esporte uma enorme paixão. Um sentimento difícil de entender e de explicar.

Log da Semana:  155 km em cerca de 7 horas de treinos.

Faltam SEIS dias.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

FILHOS

Há cerca de 1 ano e meio, eu descobri umas das coisas (acho que a mais significativa) que dão sentido às nossas vidas.

Acho que nada no mundo pode ser melhor do que poder ver seu filho crescer, aprender a andar, falar, etc. Acima de qualquer coisa, você aprende a dar valor ao que realmente importa na vida.

Por outro lado, acho que nada pode ser mais estressante do que ter filhos.

Exatamente por ser a coisa mais importante da sua vida, seu sono nunca mais será como antes e pequenas coisas que acontecem com eles, tomam uma proporção inimaginável.

A quinta feira (21/01) foi um dia de descobertas "preocupantes". Vamos ver. Talvez não seja nada demais e, mesmo que seja "alguma coisa", não é nada tão sério, mas.......você sempre quer que seu filho seja a pessoa mais feliz e saudável que existe no mundo.

O mundo de verdade, as vezes prega algumas peças na gente.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Maratona de São Paulo - Semana 1

É o que diz minha planilha de treinos.

Claro que tem os treinos de natação e de bike, mas se a gente tem que matar um leão todos os dias, quero logo a cabeça do maior deles!

Portanto, a prioridade do 1º semestre é esta.

Ontem foi o ponta pé inicial desta primeira semana....debaixo de uma chuva daquelas que merecia uma recompensa pra quem persistiu.....e a recompensa veio.

Desde que voltei a treinar (relativamente) sério, tive dois momentos de profunda solidão, mas que ao contrário do que o nome pode sugerir, de profunda paz e felicidade. O primeiro deles foi no final de 2009, pouco antes do início do horário de verão. Era muito cedo, antes das 6:00 e estava sozinho (sem carros, sem ninguém correndo, pedalando, andando para o trabalho dentro do campus...NADA, VAZIO), com a lua nas minhas costas e o sol nascendo na minha frente.

O outro foi ontem.

Depois de atrasar o início do treino por causa do dilúvio e vento que cairam na zona oeste por volta das 19:00, me vi correndo da mesma forma...SOZINHO, sem carros, sem alunos, sem trabalhadores, SEM NADA ao redor, por volta das 20:30 (já de noite) na rua dos bancos da cidade universitária. Quem gosta de foto já ouviu dizer que fotografo adora a luz logo após a chuva....ontem pude descobrir um pouco da mágica, mesmo sendo à noite. Pena que não tinha minha máquina e tripé à tiracolo (afinal estava correndo), mas tive a sensação de estar correndo em um mundo à parte...uma névoa saia do asfalto quente e molhado, o cheiro era de mato molhado e os únicos sons eram de animais e insetos. Valeu a pena.

Só por isso, já vale a pena todo e qualquer sacrifício.

Que eu tenha mais momentos solitários e felizes assim.