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domingo, 7 de agosto de 2011

Exercitando a Paciência.


Dois meses se passaram.

Já deu tempo pra crescer os pelos nas pernas.

Já deu tempo de recuperar o percentual de gordura perdido durante os treinos pro iron, o que é uma pena, pois estava gostando muito da forma física (re)adquirida.

Já deu tempo de botar os pés no chão e ver a autoestima ir lá embaixo, sem saber se os dois anos de dedicação e esforço foram perdidos nesses dois meses que estou impossibilitado de correr, pedalar e fazer esportes em geral.

Já deu tempo de receber o reembolso por ter desistido de participar do Ironman 70.3 Brasil, em Penha - SC.

É Claudia Arantangy (será que você ainda lê meu blog?), citando seu post, isso também é depressão pós iron.

Acho que estou pagando o preço das minhas escolhas, apesar de não achar que tenha feito alguma coisa errada. Não acho que tenha ido além do que eu pudesse suportar, afinal cumpri o planejado.

Fico feliz que as coisas começaram a dar errado DEPOIS do iron e não antes.

Quem está por perto sabe, assim como quem me acompanha por aqui. Uma fratura por stress (sobrecarga) no fêmur.

Fosse só isso, tranquilo. Fato é que durante o período proposto pra recuperação, a dor mudou de característica. Não sei por que cargas d'água isso foi se manifestar só agora.

Meu colo do fêmur tem um formato que predispõe a impacto entre o fêmur e acetábulo, diminuindo a amplitude de movimentação. Daí surgem algumas outras lesões associadas.

O que fazer? Deixou de ser uma simples questão de paciência. Tenho que fazer escolhas.



Ouvi algumas coisas muito fortes esta semana, do tipo: "você é médico, já tem 38 anos nas costas. Não sou eu - no caso um ortopedista conceituadíssimo na área de quadril - quem vai dizer o que você deve ou não continuar fazendo com o seu corpo. Você sabe que não é saudável." ou então "vocês triatletas têm rotinas de treinos de profissionais, mas sem o apoio e sem a retaguarda de atletas profissionais. Bom pro meu consultório, que está sempre cheio", ou ainda "Há dois anos, era mais incisivo, marcaria sua cirurgia para a semana seguinte. Hoje estou mais paciente. Podemos começar com um estudo da sua potência muscular com dinamômetro, fazer uma fisioterapia que envolve estabilização do esqueleto axial (CORE training) e por fim, se a dor não passar, cirurgia".

Quanto tempo devo insistir até decidir que preciso operar, depois passar por fisioterapia pra ver se depois de tudo isso, vou poder conseguir treinar e competir?????? Não sei se sou tão paciente. Quero voltar a treinar. Quero voltar ao convívio das pessoas que fizeram parte de um período tão marcante na minha vida.

Apesar de triste, coloquei na cabeça que, da mesma forma que me empenhei pra virar um ironman, vou me empenhar pra estar no ironman em 2012. Se não der em 2012, será em 2013 ou 2014, ou quando der, mas vou voltar a fazer triathlon.

Não gosto da vida que estou levando. Acordo desmotivado, sempre atrasado. Rendo menos do que gostaria no trabalho. Depois, volto pra casa pra esperar a hora de ir dormir.

Vou fazer o que for preciso pra voltar à ativa. O duro é que pra ir em fernte, às vezes temos que recuar alguns passos. Hoje foi muito triste cobrir a bike, proteger as rodas, capacete, sapatilhas e guardar tudo no depósito.

Espero que seja só um "Até breve".