Mostrando postagens com marcador medalha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador medalha. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Fracasso e a Vergonha



Há exatos 4 anos olímpicos, no dia (ou na madrugada) da final dos 50m livres, eu estava com a Júlia recém nascida na sala. Ela estava dando muito trabalho pra dormir, assim como o Guilherme está dando atualmente.

Quando finalmente ela parou de chorar e se contorcer de cólica (ou o que quer que fosse), eu acabei cochilando.

Acordei assustado com gritos na vizinhança. O "Cesão" tinha acabado de cair na água.

Pouco mais de 20 segundos depois, o número 1 e o sobrenome Cielo prrenchiam a raia onde ele tinha acabado de nadar.

Eu não sabia o que fazer  com o pequeno ser no meu colo. Queria gritar. Queria joga-la pra cima (e depois pegar de novo, sem deixar cair no chão...claro). Queria sair correndo.

Como a vontade maior era que ela continuasse dormindo, eu dei um beijo na cabecinha careca dela e disse: "Jujú, você é pé quente. Você acabou de ver a primeira medalha de ouro da natação do Brasil".

Foi muito emocionante ver aquele "meninão" grande no pódio olímpico e depois ser abraçado pelo GRANDE  Gustavo Borges, que comentava a prova pra Globo ou SporTV.

Quatro anos depois, muita coisa aconteceu. O "meninão" assumiu a postura que coloquei no post anterior. Ficou marrento. 

Ok, bateu recordes mundiais. Indiscutivelmente o melhor.

Aí veio o "meio" escândalo da mal contada história do doping. Suspeito. Triste.

Em Londres, ele não era mais a promessa. Era o cara a ser batido. Muitas luzes, holofotes. Muita pressão.

Não nadou revezamentos. Brasil não classificou suas equipes.

Nadou os 100m e ficou em sexto, o que por si só é um belo resultado. 

Mas nunca pro brasileiro, para quem o segundo colocado é o primeiro dos últimos.

E chegou o dia da final dos 50m. Defesa do título.

Não caiu bem como de costume. Não ficou na frente em nenhum momento. Perdeu a prova.

É assim que eu vi a prova?

Não. Claro que não.

O cara foi terceiro colocado em uma Olimpíada. É motivo de orgulho.

E se o choro dele ao deixar a piscina foi de decepção, ele é a única pessoa que poderia expressar esse sentimento, na minha opinião. Ou alguém duvida que ele treinou pra ganhar????




Toda essa introdução pra dizer que as vezes tenho vergonha de ser brasileiro.

Toda Olimpíada é a mesma coisa. Tem sempre gente falando que o Brasil tá uma merda, que não ganha medalha, que a China tem 127 medalhas de ouro.

Não quero repetir clichês, mas a situação:

O ciclista brasileiro na prova de contrarrelógio estava com o uniforme preso por alfinetes, pois o zíper quebrou e não havia outro. Seu equipamento (bike) era até de bom nível, mas no carro de apoio existia uma reserva que não era nem adequada àquele tipo de prova. Era uma bike de ciclismo de estrada "normal".

É uma pena que sejamos um país continental com 200 milhões de habitantes e que deixamos passar tantos Phelps, tantos Bolts, tantos Federers porque aqui todos querem ser e só incentivamos as crianças a serem jogadores de futebol.

Não tenho vergonha do Brasil no quadro de medalhas. Tenho orgulho dos heróis que vão lá e ganham as suas. Isso sem contar que estar lá e alcançar objetivos pré traçados, talvez seja muito gratificante. Não como uma medalha, mas ainda sim, gratificante.

Ouvi a entrevista de um nadador brasileiro (acho que do costas) que não pegou vaga para a final. A repórter perguntou em tom de derrota a sensação de ter perdido a vaga na final por poucos centésimos. Muito sereno, ele respondeu que a preparação tinha sido feita e os objetivos alcançados. Ele tinha parado numa semifinal olímpica.

Na maratona, a Adriana Silva vai largar sabendo que 30 atletas estão na frente dela no ranking mundial. Tem muito cabeça de prego que pensa que ela não deveria nem largar, tenho certeza. Mas não. Ela vai largar e como disse o Cláudio, treinador dela, se derem chance, ela vai aproveitar.

Se ela ouvisse rock n'roll, ela ganharia a prova Claudião! Esquece essa "draga" de sertanejo....hahahahah.

Nem sempre é possível ser o campeão. 

Hoje li um comentário de um otário que dizia que voltaríamos de Londres "bronzeados" e que isso era uma vergonha.


O esporte brasileiro tem muito a evoluir, mas quem precisa abandonar a cultura futebolística e evoluir de verdade, é o torcedor brasileiro!

Parabéns Cesão! Parabéns a todos os atletas que estão lá. Aos que ganharam e aos que não ganharam.

Fracasso olímpico não existe. Que atleta não faria de tudo para estar lá (e as vezes acabam fazendo da forma errada).

Vergonha eu tenho de quem emite opiniões como a do "bronzeado"


segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Pódio ou a Barbie?




A cada quatro anos a cena se repete: atletas vencedores realizados subindo ao pódio e colhendo os frutos de anos de dedicação e abdicação.

Muitas dessas cenas são emocionantes, pelo menos pra mim, pois de alguma forma mostram que valeu à pena.

Hoje mais uma dessas cenas aconteceu e vai rodar o mundo.

Uma menina loirinha com cara de adolescente, dentes grandes e ainda separados soluçava antes de receber a medalha de ouro conquistada ao vencer a final dos 100m peito.

Acho legal esse tipo de reação emocionada, normalmente vista em "medalhistas de primeira viagem". Depois os egos inflam, o topo deixa de ser aquele lugar tão esperado pra virar o lugar menor diante da grandeza do "super atleta".

Só uma coisa era diferente de tudo o que já tinha visto.

A lituana Ruta Meilutyte tem só 15 aninhos recém completados!

Em Pequim há 4 anos, ela tinha 11 anos. Idade na qual uma porcentagem esmagadora das crianças estão "preocupadas" em brincar, em comer chocolate ou qualquer outra coisa (que com 40 anos não vão poder sem arcar com as consequências), ou então arrumar desculpas pra justificarem alguma travessura.

Partindo do pressuposto que não se faz um campeão olímpico em apenas 4 anos, o que mais então, foi tirado dessa menina?

Na arquibancada, a mãe da pequena grande Ruta chorava como a filha, segurando uma bandeira da Lituânia.

Não quero que ninguém me entenda errado. A imagem da campeã olímpica soluçando como uma criança que ela é, foi linda e vai ser uma das imagens marcantes desses Jogos Olímpicos, mas....de quem era esse sonho? 

Como se enfia na cabeça de uma criança de menos de 10 anos que ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas é mais legal que uma boneca da Barbie? Ou então de se entupir de chocolate ou pipoca?

Quem tem filhos, que se ponha a pensar.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nossas Medalhas (Visíveis ou Invisíveis)

Quase todo mundo que faz o que fazemos, não faz por muito mais do que isso aqui:


É difícil pra um simples "mortal" entender que muitas vezes, eu nem sei a minha colocação. Ou então não conseguem entender como eu posso ter ficado feliz sendo o 210º colocado no geral e em 57º na minha categoria!

É difícil compreender que a linha de chegada é a maior conquista, o maior prêmio.

Guardamos nossas medalhas de participação como verdadeiros troféus. Desfilamos de camisetas de provas. Se tiver a palavra finisher então...

Até bem pouco tempo atrás, guardava todos os meus números de participações em provas, desde o longínquo 1993, quando fiz minha primeira prova de biathlon. Eram números de tecido, que molhavam. Alguns ainda estão guardados na casa dos meus pais.

Existem também os troféus indiretos. Por exemplo:


Este LINDO bronzeado, cultivado no último domingo em Pirassununga em quase 5 horas do sol que TODOS os dermatologistas condenam e pessoas com um mínimo de juízo, nunca tomariam. Olha a ironia do negócio: o sol nas minhas costas ficou coberto. Talvez seja solidariedade de classes, como aquela história de médico não cobra de médico; um sol não queima outro sol!

Ou então isto: 


Eu ajudo.

Terminei a prova no domingo e fui tomar um banho (proibido) na piscina da AFA. Ao sentar pra tirar a meia de compressão, uma cãibra ANIMAL na panturrilha esquerda. Trinta segundos, um minuto.... interminável. Amanheci nos dias seguintes com muita dor. Cheguei no trabalho e pedi para que fizessem algumas imagens da perna, pra descartar alguma lesão muscular. Qual não foi minha surpresa ao ver uma alteração no osso (esta área mais brilhante na medular óssea da tíbia, o osso maior), com um nome engraçado: Shin Splints. Está explicada minha "canelinha de vidro", que dói sempre que minha filha resolve bater com algum brinquedo na minha perna!

Ok, nada pra desesperar. Talvez a decisão de abolir o alongamento depois dos treinos nos últimos 6 meses, não tenha sido muito inteligente.

Achei que seria de mau gosto postar fotos de algumas cicatrizes de quedas de bike que tenho, uma no braço e outra na perna. Estas são "medalhas tatuadas", que vão seguir comigo e sempre vão me lembrar que eu sou triatleta.

Esses são os troféus que valem. Os que nos lembram o que somos!

Acho demais ficar em 47º, 69º...e até em 11º, como no último domingo!