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sábado, 6 de novembro de 2010

Show de Rock n' Roll


Tentei voltar ao foco (odeio essa palavra usada nesse sentido, parece jogador ou técnico de futebol tentando falar difícil) original, mas a vida é muito mais que treinos e provas.

Ontem (05/11) fui a um show que confesso, nunca esperei que fosse ver na vida.


Antes de mais nada, um desabafo, ainda adrenado pelo que vi e o que ouvi ontem:

POSER, HAIR METAL, GLAM METAL É O CARALHO!

O que eu vi e ouvi ontem foram 5 músicos espetaculares (nem precisa falar, mas eu vou falar, com um dos melhores guitarristas que existem no rock and roll, John Norum), num show limpo, empolgante, sem frescura e sem nenhum artifício pra desviar a atenção da performance deles e da música que eles estavam tocando.

Fiquei pensando: como uma banda dessas toca pra menos de 2000 pessoas enquanto um Black Eyed Peas, cujo MAIOR atrativo é a vocalista, mas não exatamente pelo que ela canta e sim pelo que ela aparenta (nesse quesito ela é sim espetacular), toca num Morumbi lotado (toca????? será que o verbo é esse mesmo? NÃO GOSTO DE MÚSICA ELETRÔNICA DE NENHUM TIPO). Enfim, gosto é que nem....bom, já sabem!

Pior, como uma banda dessas tem esse estigma que no mundo do rock é depreciativo: POSER, hair metal e outras babaquices rotulantes. 

Rótulo é (MUITO) legal em uma garrafa de vinho!

Então, um pouquinho de conhecimento pra iluminar a ignorância de quem joga a pedra antes de saber o motivo.

Ouvi Europe pela primeira vez no verão de 87. O som era (claro) The Final Countdown e tocava no último volume em um carro, no meio do agito em uma sorveteria na praia! É impossível ser indiferente a esse riff de teclado. É genial, é espetacular (mais espetacular ainda é o solo de guitarra dessa música, mas isso eu só fui descobrir bem depois).

Virei fã. Comprei o bolachão, depois CD. Comprei todos os CD's que encontrei deles depois disso. 

O engraçado, como diria uma antiga professora de história, depois do auge, sempre vem a decadência. A decadência deles foi o próprio caminho para o auge!

Quem taxa os caras de poser, não conhece o trabalho deles antes do The Final Countdown (1986), que foi o 3º disco. Nesse disco, muita coisa mudou na trajetória dos caras: Como a grande maioria das bandas de rock da época, o caras passaram a usar roupas estranhas; Cabelos....compridos e armados (hair metal), Maquiagem. 

No caso específico do Europe, por causa da FORÇA do riff do teclado da música The Final Countdown, esse passou a ser o instrumento dominante, apagando a guitarra que era o pilar que sustentava o som da banda até então. Descontente com esse caminho, Norum ("O" guitarrista) caiu fora antes da banda entrar em turnê pra divulgar o que seria o início do sucesso mundial da banda, no início de 1987, iniciando uma excelente carreira solo (quem quiser ouvir um resumão dessa fase dele, Face it Live, de 1997, ao vivo).

O cara que entrou no lugar dele, o Kee Marcello é tão bom quanto, mas com estilo e técnica diferentes e principalmente mais maleável por não ser membro original da banda, permitindo que entrassem num período comercial, dando pilha pra quem acha que hard rock é um "heavy metal gay".

A banda acabou em meados dos anos 90, época do grunge!

Na virada dos anos 1999/ 2000 (erradamente chamada de virada do século), os caras se reuniram no país deles, a Suécia e fizeram um show histórico, tocando The Final Countdown (link pro youtube nome da música) numa temperatura CONGELANTE, ao ar livre, com os dois guitarristas, Norum à direita do palco e Marcello, à esquerda, com gorro e óculos.

O caminho para a volta estava aberto. E a volta foi triunfante (pra quem é fã, como eu). Começou meio que timidamente com um disco chamado Start From the Dark (título bem apropriado) em 2004 e veio com força total com Secret Society, em 2006. Esse último, um disco com a cara do Norum, sem concessões!

Então, pra quem tem coragem e não tem PREconceitos, indicações pra se conhecer o Europe, além das baladinhas e dos riffs de teclados:

Europe - 1983
Wings of Tomorrow - 1984
Secret Society - 2006

O último disco lançado, Last Look at Eden (2009) volta a ter mais teclado, mas tudo em harmonia. Destaque para a última música, In My Time (também com link pro youtube no nome da música),  um blues tipo Gary Moore, feito pra esposa do Norum que morreu recentemente de câncer. O som da guitarra é um lamento durante toda a música e o último solo (nos 2 minutos finais), a explosão de fúria em forma de tristeza, no solo mais bonito que eu já vi!

E pra quem chegou até aqui neste post, um pouco do que foi Europe ao vivo em SP, filmado por mim mesmo, com o celular (reclamações sobre qualidade do audio e vídeo com o titio Steve Jobs)




E claro, o solo do Norum, ESPETACULAR!