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sábado, 7 de maio de 2011

Ironman Brasil: Semana 18 - Falta Muito?????

Sabe criança viajando de carro? Não demora muito pra ficarem cansados e logo a pergunta vem: Falta muito?

A Júlia ainda dorme grande parte de longos trajetos.

Quem está se sentindo como uma criança no banco de trás, no meio de uma longa jornada sou eu.

Ainda falta muito?

Ensinamento da semana. O corpo pode e deve estar cansado. Muito cansado. Se não estiver, alguma coisa não saiu como deveria.

O CORPO, que fique bem claro. A cabeça não!.

Quem vai encarar o "bicho" no próximo dia 29 e por acaso caiu de paraquedas por aqui, uma coisa muito importante. Não é hora de entregar os pontos. Não é hora de abaixar a guarda.

Os extremos são fatais na preparação de provas de endurance. Errar na mão e não respeitar a planilha, fazendo mais do que é passado, pode te levar a atingir o pico da preparação antes da hora, pode te deixar mais cansado do que o normal, pode acabar com meses, anos de preparação. 

Por outro lado, relaxar, deixar de treinar ou reduzir os treinos antes da hora, porque já passou os treinos chaves da preparação ou porque está se sentindo "muito cansado", também pode ser um tiro no pé.

A resposta da pergunta do título do post é NÃO. Tá chegando. Falta MUITO pouco.

O que não quer dizer que o que está na planilha seja só pra encher linguiça.

Todos nós já passamos pelo mais difícil. Todos já fizemos os maiores treinos. Agora, existe uma razão pra se diminuir volumes, eventualmente dar alguns estímulos de intensidade.

Vamos respeitar as planilhas.  Preparar a cabeça é parte fundamental do treinamento de um ironman. A cabeça tem que ser ainda mais forte que o corpo.

E bom resto de "viagem".



Log da Semana:  360 km em cerca de 16 horas de treinos, mais duas sessões de pilates e uma sessão de massagem.

Faltam VINTE E UM dias

PS: Post antecipado por causa do dia das mães. Parabéns à todas às mamães, triatletas do dia-a-dia.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Causos" de Pirassununga

Uma sugestão da Cláudia é mais que um pedido, é uma ordem!

Então, lá do fundo do baú, vamos resgatar mais lembranças sobre minha experiência militar.

O "universo" militar é constituído de particularidades: o clima é sempre de guerra iminente, tudo é baseado em hierarquias e hierarquizações, o linguajar é característico, quase um dialeto. Por exemplo, qualquer atribuição, por mais corriqueira que seja, é uma missão; aula é instrução. Esqueça A de amor, B de bola, C de casa....A de alfa, B de Beta, C de Charlie, D de delta e assim vai.

Como eu disse no post anterior, o fim da "instrução" militar (os dois meses nos quais o básico do BÁSICO do treinamento militar seria passado à um bando de moleques e dondocas recém formados - essa é a imagem deles sobre as pessoas nas condições em que eu me encontrava naquela época) previa uma "missão" à Pirassununga. Lá, além de mostrar aos "estrelados" nosso aprendizado como soldados, teríamos algumas aulas complementares sobre como montar guarda em uma operação de guerra, técnicas de sobrevivência na selva, até alguns requintes de crueldade como o tratamento a prisioneiros de guerra.

Os preparativos para essa missão incluía uma certa tortura psicológica: a todo momento éramos lembrados que lá, seríamos o "cocô do cavalo do bandido". Se entramos na Força como aspirantes à oficiais, e por isso, com ascendência sobre todos as patentes menores, como soldados, cabos, sargentos e suboficiais, nesta missão, TODOS eram instrutores (alguns instrutores seriam soldados ou quaisquer outros militares com patentes menores às nossas) e por isso, alguns iriam à forra. Iriam tirar o recalque. E BOTA RECALQUE NISSO!

Era uma quarta feira. Todos com caras de assustados com as mochilas, fuzis com baioneta e capacete PESADÍSSIMO sobre as cabeças. Claro, além de camuflado e coturno, num calor de final de março. Esse seria nosso figurino para os próximos 3 dias. A volta era prevista para sexta, mas nada era dado como certo..."portanto, avisem os papais e mamães que não sabem quando voltam....OU SE VOLTAM".

O tempero de tudo isso chamava-se C-130, mais conhecido como Hércules. Um avião militar enorme, com asa alta, quadriélice (nenhuma delas poderiam estar em sincronia, ou então o avião cairia, segundo as intimidações pré voo), muito usado em transporte de tropas, paraquedistas ou cargas.

Muitos estavam com medo do acampamento, outros muitos com medo do avião. Eu estava morrendo de medo de me estourar todo e não conseguir fazer a etapa do Troféu Brasil de Triathlon, que aconteceria no domingo daquela semana, em Santos.

E fomos pro acampamento!

E não foi NADA parecido com os acampamentos no Rancho Ranieri, que eu fazia com a escola!

Saímos do avião, fomos divididos em 2 ou 3 pelotões (sem bikes), cada um com líderes que, dependendo do desempenho em comandar a tropa, seria trocado pelos comandantes da operação.

Foram entregues 3 sacos, com lonas, ferros, ferramentas. Eram barracas! Não eram iglus. Não tinham manual de instrução!

Horas pra se montar as tais barracas!

Terminado isso, Ordem Unida, agora com fuzis: APRESENTAR ARMAS, DESCANSAR ARMAS....horas de pé. 

A noite caía e nada de considerarem apresentável o que viam! Não me lembro de ter comido. Fomos dispensados para dormir por volta das 2 da manhã, mas com a obrigação de montar guarda permanente em volta das barracas. O inimigo estava por toda parte.

Às 5 da manhã do dia seguinte, uma série de morteiros são detonados atrás da barraca. A guarda completamente ineficiente não percebeu! Acordei SURDO!

Num pequeno lapso de bondade, foi-nos oferecido um café da manhã com a recomendação: "COMAM, SEM EXAGEROS, MAS COMAM. NINGUÉM SABE QUANDO OU SE VAI TER COMIDA DE AGORA EM DIANTE".

E estávamos todos em fila, preparados para a "volta ao mundo" (como eles chamavam o caminho até a área de acampamento). Horas andando no sol de rachar, com mochila nas costas, capacete na cabeça e fuzil na mão. Não era um caminhar relaxado. Era um caminha militar, quase uma marcha. À todo momento existia o risco de ataque inimigo e, desta forma, precisávamos nos entrincheirar quando era dado o alerta!

Depois de 6 a 7 horas andando assim, a sede era insuportável. De vez em quando nos reuniam e davam um copo que era pra ser dividido em 20, 30 pessoas. O último tomava a baba de todos os outros!

Antes de chegarmos ao acampamento propriamente dito, algumas "instruções" (aulas) no meio do caminho. Como éramos filhinhos de papai, não éramos obrigado, mas quem quisesse, poderia experimentar bigatos (larvas que crescem em madeira) e outras coisas relacionadas à sobrevivência na selva! 

Vou te dizer que em nenhum treino ou prova até hoje senti tanto stress, cansaço ou sede! A famosa frase PEDE PRA SAIR não existia, mas a todo segundo era repetido o equivalente "PEDE DESLIGAMENTO 06. PEDE DESLIGAMENTO". E aquela cena do durão, chorando e pedindo pra sair...acontece mesmo! Os que mais falam que vão "fazer e acontecer" durante as aulas teóricas, são os mais visados...e sim, conseguem tirar essas pessoas do sério!

Depois que terminou essa primeira parte, aliviou. No acampamento, serviram UM PUTA almoço! Esqueçam lavagem com vômito do Tropa de Elite. Comida BOA de verdade...claro, éramos aspirantes a oficiais, filhinhos de papai!

A noite caiu. Banho com tempo contadíssimo. Obrigatório fazer a barba. Jantar. Aprendemos a mexer com granadas. Aprendemos como proceder com prisioneiros de guerra e acredite, não é NADA legal ser um deles! Aprendemos a montar uma guarda eficiente e, com a noite alta e notícias de um lobo guará rondando o acampamento, testemunhei o céu estrelado mais bonito que já vi (e olha que meus pais tiveram sítio em uma área afastada de Ibiúna até bem pouco tempo atrás),

A manhã do dia seguinte veio! Como líder eficiente do meu pelotão, escolhido no meio da tarde do dia anterior e não mais destituído (os caras rachavam o bico das broncas que eu dava na minha tropa), fui premiado com a volta de todos para o refeitório da base (fora da área de acampamento) em caminhões. Ninguém aguentava andar de volta. Aí que percebi que estávamos do lado da base aérea. A tal "volta ao mundo" era realmente uma bela volta pelo caminho mais longo pra se chegar no lugar pretendido.

O retorno a Sampa, já disse - de ônibus, infelizmente. Teríamos que cruzar a marginal Tietê em direção à Guarulhos em pleno horário de rush. Todo mundo largado, deitado no corredor do ônibus. 

Não consegui forças pra ir à formatura do meu irmão. Estava eu "meio limpo", desmaiado no sofá da sala de televisão da (então) minha casa. Nem lembro dos meus pais ou irmãos chegando aquele dia.

Foi legal. Um mundo à parte, do qual com certeza eu não me encaixaria nunca, mas como experiência foi bem interessante.

Consegui ir pra Santos no dia seguinte (um sábado). Lembro de ter feito a prova, mas realmente não lembro do desempenho. Claro que não deve ter sido dos melhores.



quarta-feira, 17 de março de 2010

Vida de Atleta

Estou cansado!

A gente vive cansado. Pior é quando o cansaço não é só físico. No meu caso...são os dois, corpo e cabeça! Um potencializa o outro.

Noites mal dormidas, ora pelo calor infernal, ora pela filhota "insone"; dias começando cada vez mais cedo por causa do trânsito infernal; trabalho cansativo; colegas de trabalho que te fazem valorizar ainda mais as POUCAS pessoas em quem você realmente pode confiar; treinos desgastantes (mas isso é diversão, embora gostaria de ter mais tempo pra comer melhor, descansar melhor....).

Treinos de natação e bike em fase de manutenção...Tô na escalada pra maratona de SP. Sim...escalada. Já passei pelo 20º, 24º, 26º Kms....sábado passado conquistei o 30º Km num terreno pra lá de hostil...a aldeia da serra. Lugar sensacional pra se treinar...paisagem maravilhosa...mas PIRAMBEIRA pra cima e pra baixo o tempo todo.

Como já falei várias vezes, esses treinos servem mais pra fazer o corpo acreditar. A cada dia eu tô mais convencido que 60% é "cabeça" e o resto é "corpo". No final de cada longão, eu não consigo me imaginar correndo distância maior....mas sempre na semana seguinte, tenho que conquistar mais alguns Kms....e lá vou eu.

Estou aprendendo na marra (não sei por que, comigo sempre é na força....nada vem fácil) que preciso ter paciência. Preciso seguir o plano. Propus a correr uma maratona em 3:50', o que dá uma média de 5'30". Frustrante? Pode ser, se você for tentar correr 5 ou 10 Km nesse ritmo. Isso que eu preciso por na cabeça. Começo os primeiros 10, 15 Km correndo muito fácil. Não consigo segurar a média em 5'30". Vai caindo...5'20", 5'10"...abaixo de 5'/ Km (aconteceu isso na aldeia, sabado passado), mas de repente e sem aviso, o corpo desliga, a mente vai pro saco! Tudo passa a dar errado.....e a gente QUEBRA!

Preciso ter paciência...PRECISO!

Mudando de assunto...no sabado ou no domingo, descobri uma "nova" leitora xereta do meu blog...hahahaha. Tô eu saindo do quarto da Jujuba, depois de faze-la dormir, vejo alguém no escuro, com uma conhecida página aberta...hahahaha

Então, bem vinda a bordo...Esse blog era parte do "projeto Família Ironman", mas só ia te mostrar mais pra frente..."tenho tudo ensaiado pra te conquistar..." (bom...deixa pra lá, você tinha 5 anos quando essa música tocava,,,,HAHAHAHAHAHAHA).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

1ª Quebrada do Ciclo

O lado negro mostrando sua força!

Mais um sábado que tive que acordar as 4:30 da manhã, não bastasse durante a semana ter que acordar as 5 da manhã, não para treinar, mas para trabalhar. Hoje em dia, TODOS nós médicos somos profissionais de "PONTA"....cruzamos a cidade de "PONTA A PONTA" . No meu caso, moro no alto da lapa e trabalho no tatuapé e a cada dia, ODEIO mais a marginal Tietê (desabafo diante do trânsito particularmente horrível nesta segunda cedo).

Voltando ao sábado.

Com uma viagem rápida combinada com uma casal de amigos até Conchal (alguém sabia que existia?), ou acordava cedo, ou desistia de treinar....DESISTIR JAMAIS.

O corpo cobrou pelo "cansaço acumulado".

30 Km de pedal leve (nem TÃO leve assim) e depois 22 Km de corrida, sendo uma volta de 7 Km, outra volta de 8 Km, com biologia e, por fim, outra volta de 7 Km. O objetivo do 1º semestre é a maratona de SP.

Resolvi que não ia ser muito conservador e iria tentar impor um ritmo moderado, sem as "amarras" do frequencimetro, que parou de funcionar por falta de bateria no sensor.

Primeira volta de 7 Km muito boa, sentindo-me muito bem.

Segunda volta, 8 Km, já não via a hora de terminar a porcaria do treino. Muita água, gel....vamos pra última...

Seria uma volta "curtinha" de 7 Km, sem subidas fortes....

Quando entrei na raia, o mundo caiu. As pernas não respondiam, o prédio da educação física não acabava, o velódromo nunca chegava, assim como o estádio, a praça do relógio, a poli.....

Enfim, entrei a esquerda em direção ao cavalo, subi em direção ao bosque e FIM DE TREINO. 7 Km em 39'. Acho que nunca quebrei assim, mas tudo tem a 1ª vez.

Alongamento muito bem vindo, casa, banho e estrada. Conchal fica a 25 Km de Mogi Mirim, tem 30.000 habitantes e me mostrou como a gente vive num hospício chamado São Paulo.

Ontem (domingo), debaixo de uma lua animal às 10 horas da manhã, saí pra soltar 40' bem leve. Magicamente as dores nas pernas sumiram e eu prometo NUNCA mais desprezar um "regenerativo".

Descoberta da 2ª cedo....Estou no blog da Claudia!!!!!! Foto e citação nominal no post, com dedicatória especial!!!!!!!!!!!!!!!!

Ganhei a semana. Semana do Internacional

Santos, aí vou eu!