domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ironman Brasil: Semana 5 - A Lenda da Fabulosa ENDORFINA



O último dia do mês de janeiro de 2011 deixou claro que a preparação ESPECÍFICA pro Ironman Brasil começou. 

Treinos mais longos, mais intensos. Mais cansaço. Mais sensação de dever cumprido. Uma felicidade que só quem já experimentou algum treino ou prova exaustivos alguma vez na vida, sabe do que eu estou falando.

Na segunda (31/01), o dia começou com 3700m de natação. Desde quando nadava 5x/semana, uma hora e meia/ treino, eu não sabia como era nadar tanto assim. Foi um pouquinho mais de 1 hora de treino, com muitos tiros de 400m.

Depois na terça de madrugada, um treino de 60 km de pedal, com 2 tiros de 20 km sozinho, sem roda pra me carregar, cara no vento, vento na cara!

O resto do dia nos dois casos foi de, claro, um pouco de cansaço, fome e bom humor. Sim, bom humor. Adoro a sensação de estar cansado!

Esse é o gancho que eu precisava pra escrever sobre uma coisa que há muito tempo queria escrever: os efeitos do exercício como agente causador de bem estar. O que está por trás disso?

Bom, sugestionados pelo título do post, muita gente vai dizer: a endorfina.

Será?

Quem é a endorfina? O que ela faz da vida? Quais seus segredos?

O que se fala de endorfina por aí é superficial e muitas vezes nos faz acreditar em coisas erradas. 

Adiei muito esse post por não querer parecer chato, mas a oportunidade ressurgiu. Vamos a ela.

Li alguns artigos científicos sobre fisiologia do esporte e medicina esportiva e vou tentar sintetizar ao máximo tudo o que aprendi para não ficar muito extenso. Como todo resumo, posso omitir alguma coisa importante.  Se ficarem buracos, vamos aprender juntos.

A endorfina.

Beta-endorfina para os cientistas. Um opióide endógeno secretado pela adenohipofise, uma glândula que fica alojada na base do crânio, que regula uma série de reações do sistema nervoso central. Como opióide, apresenta efeitos analgésicos, eufóricos e aditivos. Em outras palavras, dá barato!

Logo após sua descoberta em 1977, começaram uma série de estudos tentando correlacionar sua ação à atividade física, entre estas, a analgesia, maior tolerância ao lactato, diminuição da percepção do esforço, diminuição do desconforto muscular e respiratório e, o mais importante deles, euforia do exercício.

Estes estudos nunca conseguiram resultados convincentes. O motivo para isso é a dificuldade de se medir a concentração da beta-endorfina no sistema nervoso central. A maneira alternativa encontrada para se conseguir essa medida, foi correlacionar o exercício físico ao aumento da endorfina circulante no sangue.

Sabe-se que em determinadas situações, a endorfina sérica (do sangue) aumenta de 3 a 10 vezes durante e após o exercício físico. Eu disse em determinadas situações. Quais seriam? Vamos começar a destruir alguns mitos. 

Em primeiro lugar, a endorfina sérica aumenta com exercícios anaeróbios. Não parece que poderíamos fazer um Ironman em anaerobiose.

Em segundo lugar, mediu-se um aumento da endorfina sérica em exercícios aeróbicos submáximos (>70% do VO2 máx), com duração superior a 1 hora. Isso nós até fazemos com certa frequência.

Agora o golpe de misericórdia. A meia vida da endorfina sérica é.....tchan, tchan, tchan...... VINTE MINUTOS!

Uma explicação rápida: Correr não deixa chapado o resto do dia! Dói....mas é verdade.

Outra série de estudos em atletas em condições de produzir aumento da endorfina sérica foram tratados com substâncias que inibem sua ação, a Naxolona. Uma grande parte destes atletas tratados com bloqueadores de endorfina, referiam os tais efeitos analgésicos acachapantes atribuídos à ela. Então, tá todo mundo louco? Ou não seria a endorfina a causadora do tal "Runner's High"?

Algumas críticas a esses estudos.

Existe no organismo uma barreira que protege o sistema nervoso central, a barreira hematoencefálica. Na prática e de forma bem simplória, ela faz com que o que tá dentro fica dentro e o que tá fora, continua fora - óbvio que determinadas moléculas conseguem passar, dependendo do tamanho.  Desta forma, medir o aumento plasmático da endorfina não parece muito útil, pois este hormônio não atravessa a barreira hematoencefálica. 

Se o aumento desta endorfina plasmática (sangue), medido em determinadas situações durante o exercício físico não pode agir no sistema nervoso central, por não ser capaz de atravessar a barreira que isola e protege o sistema nervoso central, então isto praticamente inutiliza os estudos que tentam correlacionar exercício físico e seus efeitos. Certo? Errado.

Recentemente, a PET-CT, uma técnica que une recursos de medicina nuclear, com alta sensibilidade para detectar alterações funcionais, metabólicas e bioquímicas em órgãos ou tecidos aliado a recursos da radiologia, com alto poder de localização espacial, permitiu estudar em atletas submetidos à esforço físico intenso e com duração de cerca de duas horas, o aumento da concentração de beta-endorfina em áreas importantes do sistema nervoso central, relacionadas à emoções e sensações, o sistema límbico. Não vou entrar muito em detalhes sobre este estudo (realizado em Bonn, Alemanha), pois esse foi tirado de um artigo não médico.


 

A primeira foto, um aparelho de PET- CT, bem parecido com um aparelho de tomografia computadorizada convencional e a segunda foto, o tipo de imagem que esse aparelho entrega, permitindo  o estudo anatomofuncional de uma determinada região, ou até do corpo inteiro. Um espetáculo!

Conclusões que podemos tirar.

Ao que parece, existe sim uma associação entre exercício e bem estar mediado por substâncias químicas endógenas (produzidas pelo próprio organismo). Porém, a liberação desta substância, a beta-endorfina não acontece de forma deliberada. Depende de intensidade e duração do exercício. A própria duração dos efeitos da beta-endorfina é bastante limitado e frustro. De novo, ninguém passa o dia vendo elefante cor de rosa porque correu pra cacete no treino de sábado ou de domingo.

Podemos bater martelo em um ponto: o bem estar proporcionado pelo exercício tem base fisiológica, sem dúvida. Existe também, em associação, um fator psicológico importante, que potencializa esse bem estar, que faz com que passemos o dia todo de bom humor, quando conseguimos atingir um resultado satisfatório, senão é mau humor NA CERTA.

Não existe endorfina borbulhando no sangue. Primeiro porque aprendemos que a endorfina do sangue não é a que dá barato e sim a do sistema nervoso central. Segundo porque QUALQUER coisa borbulhando no sangue, vai te levar pra UTI...de onde você pode não sair mais!

Gracinhas à parte, a semana continuou com grande volume. 


Tiros de 1000m de corrida na quarta e giro de 60 km na quinta debaixo de chuva. Não sou de açucar, certo Marquinhos?


Tive que me virar com os treinos do final de semana, pois trabalhei no sábado, de novo.


Sábado com treino na filial de Pirassununga, com termômetros de rua marcando 38ºC e um ótimo progressivo de 16 km, terminando (MORTO) com 4'40" no último km (média final de 4'54"/km). 


No domingo, 115 km na ciclovia que beira o rio Pinheiros. Há tempos queria rodar ali! ÓTIMO lugar pra treinar. Plano, seguro, liso. Triste que o rio seja morto. Seria até bonito! Mais 6 km pós bike sofridos pelo calor, progressivo, com boa média final de 4'37"/km.






Tá ficando bom.

Log da Semana:  290,3 km em 14 horas e 53 minutos de treinos, mais 2 horas de Pilates e 1 hora de massagem (ai como dói!)

Faltam 111 dias!




5 comentários:

  1. Pô, Daniel, li um artigo não me lembro mais em qual das revistas... Runners, talvez... ou Superinteressante.. sei lá. Era sobre alguns estudos que levavam a crer que a endorfina só passa a circular no sangue depois que a pessoa tem um certo tempo na atividade. Ou seja, iniciantes não se beneficiam da endorfina e que era preciso mais uma hora de exercício. Pelo jeito, o assunto ainda é bem polêmico e tem muita coisa pra se pesquisar!
    BTW onde vc achou chuva na quinta???
    BTW 2 Q hrs vc terminou seu treino de pedal na ciclovia hj? Não tinha muita gente? já liberaram os últimos 3kms que estavam fechados ontem? Devo fazer 130 lá no domingo que vem...

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  2. Clau, vou te responder no facebook. Mas só pra adiantar, por causa desses artigos pseudocientíficos, eu resolvi escrever este, baseado em fontes sérias. Desencana do que você leu. Balela.

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  3. de açucar, bem lembrado!! uahuahuhuahu muito bom!

    111 dias...bora treinar!

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  4. COMO COMBATER A FADIGA MUSCULAR SEM INGESTÃO DE COMPLEMENTOS ALIMENTARES OU REMÉDIOS ?


    Com o Gel RELAX da linha AKILEINE SPORT. linha oficial da seleção da França dos jogos olímpicos de Pekim e outros.

    O gel é usado para prevenir e combater a fadiga esportiva de competição . Promove descontração muscular após o esporte e preparação esportiva


    MODO DE AÇÃO

    Age sobre as causas especificas da fadiga muscular, aportando aos músculos os elementos naturais que permitem:
    1. Eliminar o acido láctico acumulado durante o esforço esportivo
    2. Favorecer a recarga em potássio intracelular


    ESTUDOS DE EFICACIA MENSURAVEL:

    Estudos laboratoriais de tolerância em teste de uso
    Após 1 semana de uso, duas vezes ao dia, a tolerância foi julgada excelente por todos os voluntários.83% dos voluntários tiveram prazer em utilizar este gel e 58% ficaram satisfeitos com a sua utilização
    consulte os sites ( são sites técnicos e não de venda):

    www.asepta.com ( da França )
    www.asepta.com.br ( no Brasil )

    No site asepta.com.br na pagina "parceiros" ha inúmeras opções onde comprar. Ate pela internet com a Dermatan, Dermexpress e Pharmaweb entre outros................

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  5. Oiê!!! Li seu post já ha algum tempo, passei para dar um oi e dizer que eu fico falando disso pra todo mundo agora... hahahaha... "sabia que a endorfina blá blá blá...". E este recado ai em cima do Gel Relax... kkkk... que engraçado (põe dessa pra mim - hahahahaha). bjs

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