domingo, 29 de janeiro de 2012

O Melhor Treino do Ano


Acho desnecessário dizer que foi o único também, até agora!

Acordei inquieto por volta das 6 da manhã. Tudo incomodava. Fiquei pensando milhares de coisas como o ralo da varanda, que está entupido há seis meses. Que preciso renovar o certificado digital da minha PJ até o fim da primeira semana de fevereiro. No Guilherme que tá chegando. Na Júlia que tá dando trabalho em dobro por causa disso. Que tinha gente que saía de carro às 6 da manhã do domingo e que o barulho tava enchendo o saco. Que o iTunes Match demora pra CACETA!

De repente, a iluminação: eu precisava correr.

Correr era a solução para aquele mau humor num domingo tão cedo!

Ainda não estou seguro pra voltar a fazer nada com muita intensidade. Nem se quisesse. São 6 meses parado. Pensei: pô, o dia tá bonito. Não tá calor. Uma corridinha. Um trotinho leve. Que mal pode haver??????

A verdade é que estava morrendo de saudade do meu percurso do domingo. Tênis, camiseta, indefectível boné virado, óculos escuros. Júlia perguntando se ia correr um Ironman

Corri (não um Ironman Jú.....estou novamente LONGE de um, mas eu chego lá). 

Dói voltar a correr. Parece que nunca mais vou conseguir como antes. O corpo parece ter esquecido como é que se faz. 

Fui com o GPS pra ter uma ideia de tempo e distância. Não estava ligando (muito) pro ritmo.

Dei uma voltinha no parque e voltei pra casa. Ao todo pouco mais que 9 km em quase 55 minutos.

Péssimo, mas FELIZ. Tudo na vida é relativo!

O quadril? Não doeu!

Na volta, consegui desentupir a PORRA do ralo. Agora vou renovar o tal certificado. O iTunes Match ainda não acabou.

Viu?

Correr é a solução!!!! Mesmo que até o final do ano consiga fazer treinos mais fortes, esse vai continuar sendo o melhor do ano.

Vamo que vamo!




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pra Poder Continuar a "Judiar"

No final do ano passado, um aluno de natação da academia que frequento (meia idade e pelo que consta, nadador dos bons na juventude) faleceu.

Infarto Agudo do Miocárdio.

Fiquei com isso na cabeça, apesar de não ter fatores de risco ou antecedentes familiares.

Minha última avaliação cardiológica tinha sido em maio de 2010.

Com mais de 6 meses de vida sedentária e sentindo as consequências disto, decidi que com ou sem "autorização" do meu quadril, voltaria à atividade.

Mas antes, resolução de ano novo, iria ver o que era uma tosse chata que incomoda há algum tempo e iria ver como está a "máquina"....o nadador da academia ainda não tinha saído dos meus pensamentos.

O ano começou estressante. 

Vi a tosse. Alérgica. O coração ainda não tinha dado tempo.

No último domingo, Ironman 70.3 no Chile. Notícia da morte de um atleta argentino de 31 anos no início do pedal. 

A luz que estava amarela, tendeu a ficar vermelha. 

Chega de adiar. 

Hoje, depois de 6 meses, 16 dias e 23 horas da última vez, eu corri novamente.

Ok, não foi uma CORRIDA. Foi só um simples teste ergométrico de esforço que durou 15 minutos. Grande parte destes, andando, mas com forte inclinação. A parte final, a velocidade permitiu um trote, com inclinação de 18%. Percorri no máximo 1,5 km.

Suei. Foi quase um chacoalhão nos músculos preguiçosos. Não deu tempo e nem intensidade pra boa e velha endorfina, mas deu bom humor pro resto do dia!

O coração?

Redondo! Posso continuar a castigar....se o quadril deixar!!!!






quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Surto Esquizofrênico

Tenho ouvido vozes!!!!!!

É meio assustador. No silêncio do trabalho ela (a voz) chega de surpresa e atrapalha a minha concentração. Fico sem reação.

Isso tem acontecido desde o final da tarde de segunda feira (16/01/2012) e fica repetindo, repetindo, repetindo....

P5

P5

P5

O que raios isso quer dizer????????? Atordoante! Não consigo mais pensar em nada.

E como num flash, imagens têm aparecido também.


Babaquices à parte, estou impressionado! Virou objeto do desejo, mesmo sabendo que ainda não atingi o que a minha P2, que virou praticamente um brinquedo de criança perto desta, pode me oferecer. 

Sei que se treinar duro, até o limite do meu corpo e da minha disponibilidade de tempo, talvez eu nunca merecesse uma bike destas, mas.....simplifico tudo a uma questão financeira. Posso pagar....posso ter!

Do site da Cervélo, as configurações disponíveis e os preços (lá):




No blog do Max, revendedor autorizado Cervélo no Brasil, a estimativa de preços em reais (no final dos comentários): DURA-ACE: R$ 17.900,00 e DURA-ACE Di2 (ai, ai....): R$ 27.900,00. Pelo que li nas publicações gringas, disponíveis à partir de março.

Max, como reservo a minha?????? 



O único problema é: DURA-ACE vale uma semana dormindo na área de serviço. A Di2 acho que é divórcio (com justa causa - será que existe isso???????).

Acho que vou começar a fazer umas "melhorias" na área de serviço!!!!!





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Em 2011...

No dia 1º de janeiro de 2011, eu ganhei esse depoimento:


A Júlia tinha 2 anos e meio, ainda não falava muito bem, mas já era uma tagarela e tudo o que foi dito aqui foi de forma espontânea. 

De tanto ouvir falar em ironman, ela sabia que era importante pra mim e que era uma competição que eu nadava, "andava" de bicicleta e corria. 

Nesta época estávamos concretizando a compra da nossa casa nova e isso abria a perspectiva de um irmãozinho (ou irmãzinha....mas não seria Vitória se fosse menina).

Tudo isso aconteceu.

Casa nova.

Ironman.

A gravidez do Guilherme.

Foi ou não, um ano inesquecível?

Como eu acredito que não vá mais escrever este ano, queria dizer que foi sim um ano pra nunca mais se esquecer. Espero que todo mundo que esteja nesse barco comigo tenha tido um ano igual. 

Que 2012 seja ainda melhor pra todo mundo.

Pra mim vai ser. Apesar de não poder fazer o ironman, o ano novo vai me trazer algo muito maior e mais importante.

Que venha 2012! 

Ainda mais legal, diz aí Jujú!!!!!

Feliz ano novo!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"Tire o Chapéu que Nossa Escola vai Passar"

Minha manhã começou com um vídeo no YouTube sobre a minha escola médica - A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, ou só Santa Casa.



Fiquei com vontade de escrever sobre "ela".

A Santa Casa entrou na minha vida (ou eu entrei na Santa Casa) como uma lição de humildade.

Fiz apenas dois vestibulares no ano de 1991: Fuvest e Unicamp.
 
Pra ser bem sincero, o vestibular da Unicamp eu fiz beeeeeeeeem "nas coxa".

Excesso de confiança? Talvez, mas não era só isso.

Em uma noite em casa, durante um jantar, percebi que eu só poderia passar nas faculdades que faziam parte da fuvest (USP, Paulista, Santa Casa e Ribeirão Preto). Fui muito questionado quando falei que iria fazer inscrições para unesp e outras escolas (boas escolas) no interior. Fiquei puto e meus argumentos só pioraram minha situação. Lembro que disse que não podia ter a pretensão de querer passar numa USP, depois da lambança do vestibular em 1990, quando nem da primeira fase eu tinha passado.

Como assim, "pretensão"????? Enfurecido, ouvi meu pai dizer (com razão, hoje eu vejo) que me deu uma das melhores escolas de SP (Palmares), me deu apoio quando não passei da primeira vez, fiz um ano de cursinho, nunca trabalhei. Eu tinha obrigação de ter um bom resultado. Claro que na época, não gostei. Mas afinal, pais geralmente têm razão.....geralmente.

Nas férias de 1992, em janeiro, num dia de chuva na praia, o resultado. Não passei....em nenhuma delas. Pelo menos não em primeira chamada.

Na hora o chão faltou. Fiquei imaginando mais um ano de estudo das 7 da manhã às 10 da noite, como no ano anterior. Não aguentaria. Decidi que faria biologia.

Fui consolado, talvez com a possibilidade de uma lista de espera, quem sabe para a Santa Casa, que era paga e por isso, geralmente colocada como 4ª opção. 

Nessa hora descompensei: "E quem quer a merda da Santa Casa???????? Eu estudei pra passar na USP!!!!!!".

Tive minhas férias. Depois, fui trabalhar com o meu pai enquanto as aulas no cursinho não começavam. Estava decidido mesmo a fazer biologia. Não se falava em outra coisa além de genética, projeto GENOMA, etc, etc. Eu estava maravilhado com isso.

Fui conhecer a Faculdade de Biologia na USP. Passei uma manhã espetacular no prédio no alto da rua do Matão, a ladeira onde 10 entre 10 corredores amam odiar, na cidade universitária. Era mesmo aquilo que eu queria fazer da vida.

Mas......

No final da manhã meu pai liga no laboratório onde eu estava, desesperado atrás de mim (na época não existiam celulares, dá pra acreditar????). Até hoje não sei como ele conseguiu me achar lá. Precisava decidir naquele exato momento o que eu queria da vida. Meu nome estava na última lista de espera na Santa Casa e tinha poucas horas pra reunir documentos para a matrícula no dia seguinte.

O chão faltou de novo! 

A "merda" da Santa Casa me queria. E eu, com 19 anos, o que queria?

Eu fui. Claro que eu fui!

Foram dez anos lá dentro. Dez anos intensos. Seis de faculdade e mais quatro de residência.

Quem não conhece a Santa Casa, vale um passeio, principalmente em setembro quando os ipês amarelos ficam carregados e existe até um concurso fotográfico com esse "mote". O prédio principal multicentenário em tijolinhos aparentes parece um castelo gótico, com torres altas e colunas formando arcos em forma de ogiva. Os corredores são sombrios e nos tetos também se vêem arcos em ogiva. Existem infinitos corredores subterrâneos. 

Essa aparência  misteriosa rende até hoje muitas histórias como a da "Freira sem cabeça" ou os fantasmas que muitos colegas insistem em já ter visto no prédio da radiologia.

A realidade é que a Santa Casa é maravilhosa.

Dizem que o conjunto nasceu há mais de 400 anos e já abrigou as faculdades de medicina da USP e da Escola Paulista. Quando estas decidiram que precisavam de prédios próprios, a Santa Casa com sua vocação para ensinar, cedeu o espaço para a FCMSCSP, a nossa Santa. Em 1992, entrei para a XXX turma.

A Santa é diferente de outras escolas médicas. Sua principal virtude talvez seja seu principal defeito. Pra falar a verdade, não sei mais como é hoje em dia, mas na minha época a enorme deficiência em aulas teóricas era compensada com o livre acesso às enfermarias e aos doentes. Aprendíamos na prática.

Em 1997 me formei. No final do curso, muitos de nós ainda se perguntavam: "quando acontece a mágica? Quando viramos médicos?". Éramos um bando de moleques. Eu tinha cabelo comprido. As atitudes não eram as que se esperavam de médicos. 

O que ninguém sabia na época é que a mágica estava sendo feita ao longo de todos os anos, desde o primeiro dia de aula.  A Santa Casa exigia muito do nosso esforço, da nossa vontade, mas generosamente oferecia muito em troca. Pessoas com quem aprendíamos todos os dias. E aprendemos muito com todas elas. 

O médico da Santa Casa tem sim uma relação muito especial com a escola, com o hospital. Na verdade não existe uma escola ou um hospital....um está no outro e um não existe sem o outro.

Areguá, Santa!


 Obs: O título é parte do hino da faculdade.